sábado, 25 de fevereiro de 2012

Repentance

em minha cama jazem restos de uma esperança.
cores de cinza e os cabelos
despontados
eriçados
espelhados na face dos olhos.
o canto amargo: agouro
testemunhas de um pecado irrevogável.
engulo a farpas que ficaram de um infame
ontem.
dias que não passaram.
silêncios molhados.
um sussurro de desespero
e uns braços vazios que se abrem no abismo.
dois rostos colados no chão.
carinhos espatifados.
um jardim de esquecimentos.
um jazigo.
um incesto.
o incerto.
e o meu deserto.

2 Comentários:

Davi Machado disse...

Intenso...
gostei das aliterações suaves.

abraço

. nanda. disse...

Muitas vezes, percorremos grandes e coloridos jardins recheados de paixão, e achamos que será eterno. Pena que mal lembramos que existe outras estações que levam as flores embora e trazem a chuva junto com desentendimentos, concluindo assim,em um eterno deserto seco pela solidão! Adorei seu blog, já estou seguindo! :)
www.eusobreviviontem.blogspot.com